Vaginite aeróbica: uma entidade a ter em mente.

A versão tradicional de classificar as vulvovaginites em candidoses (candidíases), bacterioses vaginais (vaginoses bacterianas) ou tricomoníases é claramente insuficiente. Na maior parte dos casos, tenta-se fazer o diagnóstico através da história clínica e do exame ginecológico - a probabilidade de erro é extremamente elevada. A prática de pedir exames culturais e de tratar de acordo com os resultados obtidos leva, frequentemente, a tratamentos desnecessários; o seu interesse é limitado à confirmação/exclusão da presença de Candida.

O exame microscópico a fresco é fundamental para um correcto diagnóstico - não apenas dos quadros anteriormente descritos, mas também dos casos de infecções mistas e de entidades menos conhecidas (vaginite aeróbica, vaginose citolítica, lactobacilose de Döderlein).

A vaginose aeróbica é uma entidade comum (a forma moderada e severa estão presentes em 7,8% da população portuguesa - dados não publicados).

Caracteriza-se por prurido ou ardor vulvar, dispareunia, corrimento amarelado profuso, inflamação (enantema/eritema e erosões) do vestíbulo vulvar e da mucosa vaginal e pH >4,5. É possível, contudo, encontrar casos assintomáticos.

Acarreta riscos, nomeadamente de: parto pré-termo, abortamentos, corioamnionite, insucesso em tratamentos de fertilidade, aquisição de infecções de transmissão sexual, doença inflamatória pélvica e anomalias da citologia cervical.

O diagnóstico deste quadro é realizado através do exame microscópico a fresco.

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