Vulvodinia – dor vulvar sem causa aparente, relacionada ou não com a actividade sexual



A vulvodinia foi definida pela ISSVD (International Society for the Study of Vulvovaginal Diseases), em 2003, como “desconforto vulvar, mais frequentemente descrito como um ardor/dor, na ausência de alterações visíveis ou de uma causa neurológica clinicamente identificável”. A partir de Julho deste ano, a definição foi alterada para “dor vulvar, com pelo menos 3 meses de duração, na ausência de uma causa claramente identificável, mas podendo ter potenciais factores associados”.


Calcula-se que esta entidade afecte 6,5% das mulheres portuguesas e que, adicionalmente, 9,5% já tenham passado por esta situação. (Pedro Vieira-Baptista, Joana Lima-Silva, João Cavaco-Gomes, Jorge Beires. Prevalence of vulvodynia and risk factors for the condition in Portugal. International Journal of Gynecology and Obstetrics. 2014 Dec;127(3):283-7).

A sua causa não é conhecida – provavelmente, não existindo uma, mas sim várias. Alguns dos factores que parecem aumentar o risco de vulvodinia incluem: toma de contraceptivos orais, candidoses (candidíases), herpes genital, infecções urinárias, depressão, síndrome pré-menstrual, escoliose, fibromialgia e síndrome da bexiga dolorosa/cistite intersticial, entre outros.


Esta entidade é pouco conhecida e reconhecida entre os clínicos. Estima-se que em Portugal menos de 10% dos casos sejam correctamente diagnosticados. De entre os diagnósticos errados feitos neste grupo de mulheres salientam-se: candidose (candidíase), infecção por HPV e vaginismo. (Pedro Vieira-Baptista, Joana Lima-Silva, João Cavaco-Gomes, Jorge Beires. Vulvodynia in Portugal: are we diagnosing and treating it adequately? Acta Obstet Ginecol Port 2015;9(3):228-234).


O diagnóstico é clínico e de exclusão. O tratamento é complexo, podendo passar por medicação local (anestésicos) e sistémica (antidepressivos, anti-epilépticos), tratamentos fisiátricos (reabilitação do pavimento pélvico) ou cirúrgicos (vestibulectomia). A cirurgia deve ser reservada para casos seleccionados, em que as opções mais conservadoras não tiveram sucesso.

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