Recomendações da International Society for the Study of Vulvovaginal Disease sobre a prática de ciru

A International Society for the Study of Vulvovaginal Disease (ISSVD) publicou as suas recomendações sobre o controverso tópico da cirurgia cosmética genital.

Estes procedimentos (ninfoplastias, cirurgia sobre o "ponto G", "rejuvenescimentos", etc.) são cada vez mais oferecidos e habitualmente anunciados como algo de muito fácil, isento de complicações e com garantias de sucesso (ao nível estético e da função sexual). Contudo, tal imagem está longe de ser verdadeira, tratando-se de uma área onde os estudos e a evidência científica são escassos. A realização de muitos destes procedimentos desafia perigosamente os limites da ética médica. A sua execução deverá sempre ser ponderada à luz da (escassa) evidência científica disponível.


As principais recomendações/conclusões deste documento são:


1. Há uma grande variedade em termos de normalidade dos genitais; os profissionais de saúde deverão ser capazes de explicar isso às mulheres;


2. Não existe evidência que permite recomendar a realização de cirurgia cosmética genital feminina (CCGF), nomeadamente: aumento do ponto G, himenoplastia, branqueamento vulvar e perianal, cirurgias de aperto vaginal ou para aumento/melhoria da função sexual;


3. A CCGF não deve ser oferecida a mulheres com menos de 18 anos;


4. As mulheres que vão ser submetidas a CCGF devem ser avaliadas por um profissional com experiência em doenças vulvovaginais e que deverá ter em conta o contexto psicológico, social e sexual. A avaliação por um profissional de saúde mental experiente deve ser considerada quando a motivação para cirurgia ou as expectativas não forem claras ou realistas;


5. A CCGF não é isenta de complicações;


6. Deve sempre ser obtido um consentimento informado;


7. Os cirurgiões que realizem CCGF devem abster-se de realizar publicidade ou promover procedimentos desprovidos de evidência científica, nomeadamente nas suas páginas da Internet.


8. Os cirurgiões não devem realizar cirurgias com as quais não concordem e devem explicar o porquê da sua posição quando pressionados pelas pacientes.


9. Os cirurgiões que realizem CCGF devem ter treino adequado, incluindo conhecimento da anatomia, fisiologia e patofisiologia da vulva, vagina e órgãos adjacentes.

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