Impacto da vacinação contra o HPV em Portugal

A vacinação contra o HPV foi introduzida em Portugal em 2008. Inicialmente, foi utilizada a vacina Gardasil - dirigida a dois genótipos de baixo risco (6 e 11) e dois de alto risco (16 e 18). Os dois primeiros são responsáveis por 90% dos casos de condilomas (verrugas); os segundos, são-no por 75% dos casos de cancro do colo do útero.

O verdadeiro impacto da vacinação (redução do número de casos de cancro do colo do útero) só poderá ser avaliado dentro de algumas décadas. Entretanto, podemos utilizar marcadores indirectos: a diminuição do número de casos de lesões de alto grau (CIN2 e CIN3) e de infecções por HPV.

Num artigo recente, Conceição Saldanha, Pedro Vieira Baptista, Mariana Costa, Ana Rita Silva, Miguel Picão e Carlos Sousa avaliaram o resultado de testes de HPV realizados no grupo Unilabs, em mulheres com menos de 25 anos, entre Janeiro de 2010 e Dezembro de 2019. Ainda que muito raramente haja interesse clínico na realização de testes de HPV em mulheres com menos de 25 anos, foram identificados 2183 casos. Estes casos foram classificados de acordo com o ano de nascimento e, consequentemente, probabilidade de terem ou não sido vacinadas: a) nascidas depois de 1994 (provavelmente vacinadas aos 13 anos); b) nascidas entre 1992-94 (provavelmente vacinadas aos 17 anos); c) nascidas antes de 1992 (não vacinadas/vacinadas depois dos 17 anos).

Fonte: Saldanha, Conceição; Vieira-Baptista, Pedro; Costa, Mariana; Silva, Ana Rita; Picão, Miguel; Sousa, Carlos. Impact of a High Coverage Vaccination Rate on Human Papillomavirus Infection Prevalence in Young Women, Journal of Lower Genital Tract Disease: August 11, 2020 - Volume Publish Ahead of Print - Issue - doi: 10.1097/LGT.0000000000000564


Concluiu-se que houve uma redução de 88 e 86% na taxa de infecção por HPV16 e 18, respectivamente, quando comparando amostras de mulheres nascidas antes de 1992 com as de nascidas depois de 1994. Nas vacinadas aos 17 anos (nascidas entre 1992-94), as reduções foram de 48 e 71%, respectivamente. Relativamente aos outros genótipos, não houve redução; globalmente, a percentagem de testes positivos manteve-se inalterada (cerca de 30%).



Assim, demonstrou-se:

1. Eficácia da vacinação na redução da infecção por HPV16/18

2. Ausência de impacto na taxa de testes positivos nesta faixa etária

3. Não interesse do rastreio nesta faixa etária, sobretudo em mulheres vacinadas (infecções e lesões frequentes, mas quase ausência de HPV16/18; infecções e lesões transitórias em mulheres jovens)

4. Necessidade de uso de vacinas de maior valência para maior e mais rápido impacto impacto 


Acesso ao artigo aqui

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